Mixtape: Quando solta o joystick | Sobrebarba


Mixtape: Quando solta o joystick

Há uns seis meses, o amigo Leandro Amaral viu sua barba, até então sempre baixinha, crescer cada vez mais. É que o ritmo no trabalho dele apertou, e ele não teve tempo nem pra dar aquela aparada.

E não é por menos! O cara esteve onde 11 em cada 10 gamers que conheço dariam seus consoles e seus PCs pra estar: nos bastidores do fodástico “Uncharted 4: A Thief’s End”.

O Leandro é o barbudo que assina todo o trabalho de iluminação do game. O quarto capítulo da saga, lançado no início de Maio, começa com o personagem Nathan Drake, já casado e longe da vida de caça-tesouros. Mas não demora muito até que seu irmão apareça pedindo ajuda e com uma proposta irrecusável. A crítica foi bem generosa (e com razão) com o jogo.

“Comecei no ‘Uncharted' em 2013, mas teve gente que começou até antes. Foi um processo bem longo. Nos últimos 6 meses, a gente trabalhou até 22h, meia-noite, aos sábados, às vezes até domingo… Muita gente acabou terminando esse processo com barba longa também. Teve gente que saiu ‘papai noel’”, conta ele, nascido em Maringá, no Paraná, mas criado em Campinas (SP).

“Uncharted" foi o segundo trabalho do Leandro no conceituado estúdio Naughty Dog —o primeiro havia sido “The Last of Us”.

“Foi muito gratificante trabalhar no “Uncharted", foi uma experiência nova, porque 'The Last of Us' é completamente diferente, mais sombrio, mais dark, mais lento, outro estilo... ‘Uncharted' é mais Indiana Jones, mais aventura, mais colorido… Normalmente eu trabalho com um estilo mais realista e esse foi um pouco mais estilizado”. A riqueza de detalhes chama a atenção: para os desavisados, algumas cenas do game, de fato, podem passar como uma foto tirada em uma viagem por algum país africano, por exemplo.

“Ele foi o resultado de anos de trabalho de programadores, trabalho de cenário, personagens textura… Chegamos a ter 300 pessoas no estúdio alocadas nesse projeto. Trouxemos algumas novidades, como, por exemplo, na física: se um personagem joga uma garrafa no chão, é tudo simulado no jogo, em tempo real. Os cabelos, o vento, tudo é feito a partir das condições climáticas. Os materiais, como cabelo, roupa, pele, também são fisicamente mais 'corretos' do que em relação ao ‘Uncharted 3’", explica.

"E nesse jogo novo tudo é mais aberto e mais espaçoso, enquanto antes era mais como um labirinto. Agora é mais como o GTA, podemos explorar mais, não precisamos ir por determinado caminho”, conta Leandro, que mora desde 2001 nos Estados Unidos, e desde 2007 na Califórnia (atualmente, está em Los Angeles). Especializado em pós-produção e iluminação, ele trabalhou em outros jogos antes de entrar para a Naughty Dog, como “O Poderoso Chefão”, da EA, e “Untold Legends”, da Sony Online.

The Last of Us

Iluminar personagens barbudões nesses títulos teve suas peculiaridades: “Em ‘Uncharted’, só temos um bigodudo, que é o Sullivan, com um bigode meio anos 70. Mas em ‘Last of Us’, como é o fim do mundo, muitos têm barbas. Muda um pouco a iluminação porque os pelos criam uma sombra”.

Na reta final da conclusão do jogo, Leandro usava música a seu favor. “Pra dar uma animada quando eu tava cansado, tipo meia-noite, ouvia música eletrônica pra acordar. Se estivesse estressado, ouvia um piano ou música erudita.

Ouço de tudo, dependendo do dia e do humor.” E tem tudo isso na playlist que ele fez pra gente! Solta o controle e aperte o play!

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