Mixtape: Liberdade Cervejeira | Sobrebarba


Mixtape: Liberdade Cervejeira

Água, malte de cevada, lúpulo e levedura. Segundo a “Reinheitsgebot”, a lei da pureza alemã, para serem consideradas puras e de qualidade, as cervejas só poderiam levar esses quatro ingredientes. Pra comemorar os 500 anos da “Reinheitsgebot”, em abril deste ano, o curitibano Andre Junqueira criou, em parceria com duas cervejarias, a Bizarro, cerveja de lote único que levava absolutamente nenhum dos itens descritos acima.

Junka, o mestre cervejeiro

“A Bizarro foi nossa ‘anti' cerveja em prol da liberdade cervejeira. Usamos arroz, aveia e mel no lugar da cevada, zimbro, semente de coentro e losna, em vez do lúpulo, leveduras selvagens e sidra de maçã, chimarrão e água de coco no lugar da água. A gente não trabalha com o óbvio e o clássico”, explicou o barbudão da foto, que, junto com a mulher, Fernanda, é sócio da Morada Cia. Etílica, projeto cigano de pesquisa, desenvolvimento e criação de bebidas de exceção.

Por exceção, Junka, como é conhecido, vai logo avisando que a ideia não é fazer mais do mesmo. Ou seja, não vamos ver a Morada colocar seu selo em mais uma pilsen, weiss ou lager qualquer.

"Nosso dia a dia é dar cursos, pesquisar ingredientes, técnicas, mercados e locais adequados para criar e desenvolver produtos. Não queria sair do meu trabalho pra virar um industrial, fabricando a mesma coisa”, explica ele, que lançou a primeira cerveja pela Morada em 2011, enquanto se dividia com a jornada de diretor de tecnologia da empresa de autopeças da família. Foi há pouco mais de dois anos e meio que “virou a chave 100%” pro negócio etílico.

Produzir bebidas era um hobby que começou com o hidromel (“a bebida mais antiga que o ser humano encontrou”), que depois foi seguido por gim com especiarias, cervejas com madeira, café e cupuaçu, absinto, vodca de tapioca, uísque maturado em barris de jatobá e outras madeiras brasileiras…

É num laboratório em casa mesmo que Junka faz seus experimentos (a maioria com ingredientes brasileiros), que eventualmente viram um protótipo, seguem para uma fábrica terceirizada, e o lote final das bebidas é vendido para empresas revendedoras. Algumas são rótulos sazonais, e muitas já foram frutos de colaborações com parceiros internacionais, como dos EUA e da Bélgica. Atualmente, a Morada vende 5 cervejas, entre elas a Hop Arabica e a Double Vienna.

Nesta última semana de julho, vem aí a sidra Épo, fermentado de maçã fuji e gala produzido em uma vinícola de Caxias do Sul (RS).

Se depender de Junka, os dias em que a sidra era considerada aquela bebida fuleira de Réveillon estão contados. "A gente quer meter os dois pés nos peitos e tirar o estigma de que sidra é vagabunda.”

Alguma cachaça no horizonte da Morada? “Boa cachaça já tem aos montes no Brasil! Agora me cita um gim brasileiro bom…”, explica ele, que está com planos de produzir novos destilados em uma nova destilaria que está sendo construída no Pará.

Sobre a barba frondosa, o mestre cervejeiro diz que não passa uma lâmina no rosto há uns 15 anos. “E só aparo o bigode quando ele começa a roubar a espuma do meu chope”, conta Junka, que preparou uma playlist com os clássicos dos clássicos do rock.

Pra apertar o play e abrir aquela gelada!

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1 Comentário

Daniel Carajoinas
Daniel Carajoinas

September 13, 2016

Excelente!! Já temos cerveja de qualidade, agora só falta uma belíssima caixa de charutos para os barbudos.

Parabéns a todos!

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