Mixtape: Deixa na Régua! | Sobrebarba


Mixtape: Deixa na Régua!

Há alguns anos, quando estava rodando o documentário "A Batalha do Passinho", sobre o cotidiano de dançarinos do funk na periferia do Rio de Janeiro, o diretor carioca Emílio Domingos se deparava com a mesma situação: toda sexta-feira, quando tentava marcar com aqueles meninos, eles nunca estavam disponíveis.

Mixtape Deixa na Régua

"Ligava querendo encontrar pra entrevistar, filmar ou mesmo só conversar, e todo mundo estava no barbeiro. Não entendia nada! Só depois vim sacar essa febre de ir fazer o corte antes do fim de semana. Como os caras fazem aqueles cortes super detalhistas e sofisticados, com desenhos ou traços geométricos e tribais, acabam demorando muito, o que gera uma fila enorme nas barbearias. Esses locais viraram um verdadeiro 'point' da nova geração. Tem gente inclusive que vai ao barbeiro pra não cortar nada, só pra conversar!"

Mixtape Deixa na Régua

Foi disso tudo que surgiu a ideia pro mais novo documentário de Emílio, o "Deixa na Régua!", que acompanha 3 barbearias, seus barbeiros e a clientela exigente de bairros do subúrbio do Rio (Vila da Penha, Quintino e Piabetá). O doc ganhou o Prêmio Especial do Júri na Mostra Novos Rumos do Festival do Rio, que rolou agora em outubro, e segue pra Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, a partir do dia 20.

"Passei 4 meses indo semanalmente em cada uma das barbearias, porque os cortes são atualizados uma vez por semana, assim como os assuntos, o que acabou gerando uma narrativa. Um deles, por exemplo, estava 'grávido', e o filho acabou nascendo no meio do processo."

"Percebi que, para além da estética das cores, tem toda uma conversa com a nova geração. Os cortes de cabelo são uma forma de afirmar um estilo, uma identidade... E é o barbeiro a figura que desenvolve esse estilo, que ouve o que a pessoa tem a sugerir e cria coisas em cima disso… Muitos garotos nasceram no bairro da barbearia, mas muitos outros vêm de bairros longe pra cortar o cabelo! É fundamental pra eles", conta Emílio.

Sobre o nome do filme, ele explica: "Deixar na régua é o que os caras pedem ao barbeiro quando se sentam na cadeira, ou seja, pedem pra deixar o corte simétrico, milimetricamente aparado..."

E não são só cabelo e sobrancelhas que ganham um tapa, não. As barbas são tingidas e cortadas em diversos formatos diferentes…

Durante as filmagens do documentário, aliás, Emílio viu sua barba crescer. "Não sou uma pessoa que está sempre barbudo… Estou achando legal, é mais uma informação no rosto… Tô curtindo!", conta ele, que é formado em Ciências Sociais, já dirigiu videoclipes do BNegão e do Lucas Santana e, durante 13 anos, foi produtor de uma das mais longevas festas da noite carioca, a PHUNK!, onde tocava sob o nome DJ Saens Peña.

Hoje toca mais em festas como convidado.

Convite feito! Agora é só você apertar o play e curtir essa seleção eclética de músicas que Emílio tem ouvido direto e separou especialmente pra Sobrebarba! "Uma delas, a do Snoop Doggy Dogg, é a cara da PHUNK!"


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